

Cinquenta empreendimentos da Economia Popular e Solidária serão apoiados pelo projeto Territórios em Ação nos municípios de Candeias, São Sebastião do Passé, Esplanada e Inhambupe. A iniciativa busca fortalecer a produção, ampliar as oportunidades de comercialização e contribuir para a geração de trabalho e renda nos territórios.
Realizado pela UNISOL Bahia em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o projeto reúne empreendimentos da agricultura familiar, pesca artesanal e mariscagem, reciclagem e produção de ervas medicinais em comunidades quilombolas. Também estão previstas ações com hortas escolares nos quatro municípios.
A presidenta da UNISOL Bahia e responsável pelo projeto, Anne Sena, explica que as atividades são construídas a partir das realidades e dos conhecimentos das próprias comunidades.
“Territórios em Ação parte do princípio de que o desenvolvimento não se faz de fora para dentro. Ele precisa ser construído com as comunidades, considerando os saberes, as necessidades e as potencialidades de cada território. Nosso papel é fortalecer esses grupos para que tenham mais autonomia, melhores condições de produção e novas oportunidades de comercialização”, afirma Anne.
Mais do que realizar atividades pontuais, o projeto acompanha o desenvolvimento dos grupos ao longo de sua execução. A proposta articula formação, assessoria técnica, organização coletiva, sustentabilidade, comercialização e participação social.
Formação e acompanhamento dos empreendimentos
O trabalho com os 50 empreendimentos formais e informais é desenvolvido de acordo com as características de cada segmento e de cada comunidade. O projeto busca identificar desafios relacionados à produção, gestão, organização, regularização e comercialização, sem deixar de reconhecer os conhecimentos e as experiências já existentes nos territórios.
Os grupos participam de oficinas, cursos, seminários, intercâmbios e estudos de viabilidade econômica. O acompanhamento também deve contribuir para o fortalecimento da gestão democrática, da segurança alimentar, da elaboração de projetos e das condições de produção.
Na agricultura familiar e na agroecologia, as atividades abordam temas relacionados aos sistemas agroalimentares e às hortas escolares. Para a pesca artesanal e a mariscagem, estão previstas formações sobre educação ambiental, beneficiamento do pescado e boas práticas de fabricação.
O projeto também desenvolve ações voltadas à reciclagem e ao manejo de resíduos sólidos, além de valorizar as ervas medicinais e os saberes preservados pelas comunidades quilombolas. A inclusão sociodigital e o acesso a tecnologias sociais fazem parte da estratégia para ampliar a autonomia dos grupos participantes.
Para Anne Sena, o fortalecimento desses segmentos deve ser compreendido como parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento.
“Quando fortalecemos a agricultura familiar, a pesca artesanal, a reciclagem e os saberes das comunidades quilombolas, não estamos apoiando apenas atividades econômicas. Estamos contribuindo para gerar renda, preservar culturas, cuidar do meio ambiente e enfrentar as desigualdades nos territórios”, destaca.
Participação social e planejamento territorial
Outro eixo do Territórios em Ação é a constituição de um conselho territorial de planejamento e monitoramento de práticas socioambientais. O espaço reúne representantes dos segmentos apoiados, da UNISOL Bahia e de instituições parceiras.
O conselho tem a responsabilidade de acompanhar as atividades, contribuir com as decisões e fortalecer o controle social do projeto. Seus integrantes também participam da construção de um diagnóstico de desenvolvimento sustentável dos territórios.
O levantamento reúne informações sobre os empreendimentos, suas formas de organização, potencialidades econômicas, desafios e principais necessidades. Esses dados devem orientar as formações, os estudos de viabilidade e as demais ações previstas.
Feiras, loja virtual e Fundo Rotativo
A ampliação da comercialização será uma das principais frentes de trabalho. O projeto prevê a realização de 20 feiras municipais e duas feiras territoriais de Economia Popular e Solidária.
Além da venda de produtos, as feiras funcionarão como espaços de troca de experiências, divulgação dos empreendimentos e aproximação entre produtores e consumidores. A proposta é estimular o consumo consciente e valorizar os produtos, os saberes e as identidades de cada território.
Também está prevista a implantação de uma loja colaborativa virtual, que deverá ampliar a presença dos empreendimentos no ambiente digital e criar novas possibilidades de comercialização.
Outra iniciativa será a criação de um Fundo Rotativo, destinado a estimular o acesso comunitário a recursos e apoiar o desenvolvimento das atividades produtivas de forma coletiva e solidária.




