

O Assentamento Europa, no município de Itaetê, na Chapada Diamantina, foi palco de uma importante atividade de fortalecimento da agricultura familiar e da Economia Solidária. A oficina “Confecção Artesanal de Desidratador Solar de Frutas e Ervas Medicinais” reuniu integrantes dos empreendimentos Empreendedores Rio de Una, Clube de Mães da Colônia e Saberes e Cipó, além da equipe técnica do Centro Público de Economia Solidária (CESOL).
A iniciativa teve como objetivo apresentar e construir coletivamente uma tecnologia social simples, sustentável e de baixo custo, utilizando a energia solar para a desidratação e conservação de frutas, ervas medicinais e outros produtos da agricultura familiar. A atividade representa uma oportunidade para que os empreendimentos possam ampliar o aproveitamento da produção, reduzir perdas e agregar valor aos alimentos, transformando produtos in natura em novas possibilidades de comercialização.

Da produção ao valor agregado
Para as agricultoras e agricultores do território, iniciativas como essa contribuem diretamente para enfrentar um dos grandes desafios da produção rural: o aproveitamento dos alimentos que não são comercializados imediatamente. Com a desidratação, frutas, ervas e outros produtos podem ganhar maior durabilidade e novas formas de apresentação, possibilitando a criação de produtos diferenciados e com maior valor agregado.
Depoimento da agricultora
“Essa atividade é muito importante para nós porque aprendemos uma coisa nova que podemos levar para dentro da nossa produção. Muitas vezes temos frutas, ervas e outros produtos que acabam se perdendo porque não conseguimos consumir ou vender tudo naquele momento. Com o desidratador solar, podemos aproveitar melhor essa produção, conservar os alimentos e também pensar em novos produtos para comercializar. É conhecimento que fica com a comunidade e pode gerar renda para nossas famílias.”

Conhecimento construído de forma coletiva
A oficina também reforçou a importância da assistência técnica e da formação como instrumentos de fortalecimento dos empreendimentos solidários. A proposta não se limita à transferência de uma técnica, mas busca estimular a autonomia, a experimentação e a valorização dos conhecimentos já existentes na comunidade. Para Gerlane Bernadino, técnica do CESOL, a atividade demonstra como tecnologias sociais podem dialogar diretamente com a realidade das comunidades rurais.
Depoimento de Gerlane Bernadino – Técnica do CESOL
“A importância dessa oficina está justamente em aproximar uma tecnologia social da realidade dos empreendimentos. Estamos falando de uma tecnologia simples, construída de forma artesanal, que utiliza uma fonte de energia disponível, o sol, e que pode contribuir para reduzir perdas, melhorar a conservação dos produtos e agregar valor à produção. É uma forma de fortalecer a autonomia das agricultoras e agricultores e ampliar as possibilidades de geração de renda.”Segundo Gerlane, outro aspecto fundamental é a valorização dos saberes locais.“O nosso papel enquanto CESOL é construir junto com os empreendimentos. Não chegamos com uma solução pronta. A gente dialoga, identifica as necessidades e, a partir daí, constrói alternativas com quem vive aquela realidade. Quando conseguimos unir o conhecimento técnico aos saberes tradicionais e à experiência das agricultoras, temos uma tecnologia que realmente faz sentido para o território.






