

O Grupo das Artesãs de Inhambupe (GAI) avançou no processo de regularização da associação e na construção de uma gestão mais compartilhada de sua loja. Esses foram os principais resultados da reunião de orientação e acompanhamento realizada pelo projeto Territórios em Ação, na última quinta-feira (6), na sede da entidade, em Inhambupe, na Bahia.
A atividade foi conduzida pelo coordenador de campo do projeto, Cauê Saleh, e reuniu as integrantes do GAI para discutir os procedimentos necessários ao registro da associação, fundada no primeiro semestre deste ano, além dos desafios administrativos, financeiros e comerciais enfrentados pelo coletivo.
Realizado pela UNISOL Bahia em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o Territórios em Ação oferece acompanhamento técnico a empreendimentos da Economia Popular e Solidária. A iniciativa busca fortalecer a organização dos grupos, ampliar as possibilidades de comercialização e contribuir para a geração de trabalho e renda nos territórios.

Associação avança na regularização
Durante a reunião, as artesãs informaram que já arrecadaram o valor necessário para registrar a associação no Cartório de Pessoas Jurídicas de Inhambupe. A próxima etapa será reunir as assinaturas de todas as sócias na lista de presença da assembleia de fundação para, em seguida, encaminhar formalmente a documentação.
A regularização é considerada fundamental para a consolidação institucional do GAI. Com o registro concluído, a associação poderá ampliar sua participação em iniciativas de apoio, estabelecer novas parcerias e buscar oportunidades para fortalecer a produção e a comercialização do artesanato local.
Para Cauê Saleh, o acompanhamento técnico deve ajudar o grupo a transformar os desafios identificados em estratégias de fortalecimento coletivo.
“A formalização da associação é um passo muito importante, mas o fortalecimento do GAI também depende da organização de seus processos internos e da participação das artesãs nas decisões. Nosso papel é acompanhar esse caminho, respeitando a realidade do grupo e construindo, junto com as integrantes, soluções que possam ser aplicadas no dia a dia”, afirmou o coordenador de campo.

Gestão da loja e divisão de responsabilidades
A organização da loja mantida pelo grupo também esteve entre os principais temas da atividade. As artesãs apresentaram à equipe técnica os procedimentos utilizados para controlar a entrada e a saída dos produtos, registrar as vendas, acompanhar as contas e administrar os recursos financeiros.
A presidenta da associação, Maria Luiza, conhecida como Malu, explicou que atualmente concentra diferentes responsabilidades, entre elas o controle dos produtos comercializados, o pagamento das despesas e o registro das contribuições das sócias. Os recursos arrecadados são utilizados na manutenção da loja, na compra de equipamentos e em outros investimentos necessários ao funcionamento do empreendimento.
Segundo Maria Luiza, a orientação do projeto pode contribuir para melhorar a organização e envolver mais integrantes na administração do espaço.
“A associação nasceu da vontade de fortalecer o trabalho das artesãs e criar mais oportunidades para todas nós. Agora precisamos organizar melhor as tarefas e fazer com que mais integrantes participem da gestão. Esse acompanhamento é importante para aprendermos juntas e construirmos uma associação cada vez mais forte”, destacou Malu.
A concentração das atividades administrativas e financeiras em poucas integrantes foi identificada como um dos desafios do grupo. Durante a reunião, a equipe técnica ressaltou que a distribuição mais equilibrada das responsabilidades é essencial para colocar em prática os princípios da autogestão, do associativismo e do cooperativismo solidário.
As dificuldades enfrentadas pelo coletivo nos primeiros meses de funcionamento também foram debatidas como parte do processo de amadurecimento da associação. A proposta é contribuir para que os desafios sejam enfrentados coletivamente, evitando a sobrecarga das dirigentes e fortalecendo o envolvimento das demais artesãs.
Oficina aprofundará acompanhamento
Como próximo passo, o Territórios em Ação realizará, no dia 21 de agosto, a partir das 9 horas, uma oficina de organização administrativa e comercial na loja do GAI. A atividade contará com a participação da equipe técnica de socioeconomia do projeto.
Durante a oficina, será elaborado um diagnóstico dos procedimentos já adotados pela associação. A partir desse levantamento, serão construídas alternativas para aprimorar os registros administrativos e financeiros, organizar o funcionamento da loja e distribuir de forma mais equilibrada as tarefas entre as integrantes.
Territórios em Ação
O projeto Territórios em Ação apoia 51 empreendimentos da Economia Popular e Solidária nos municípios de Candeias, São Sebastião do Passé, Esplanada e Inhambupe. As ações abrangem iniciativas da agricultura familiar, pesca artesanal e mariscagem, reciclagem, artesanato e produção de ervas medicinais, além do desenvolvimento de hortas escolares nos quatro municípios.




