

BAHIA — Um recurso que apoia um empreendimento hoje pode voltar a circular e ajudar outro grupo amanhã. Essa é a lógica do Fundo Rotativo Solidário, ferramenta desenvolvida pelo projeto Territórios em Ação para ampliar o acesso comunitário a recursos, impulsionar atividades produtivas e fortalecer a cooperação entre os participantes.
Realizado pela UNISOL Bahia em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o Territórios em Ação desenvolve atividades nos municípios de Candeias, São Sebastião do Passé, Esplanada e Inhambupe. O projeto apoia iniciativas da agricultura familiar, pesca e mariscagem, reciclagem e comunidades quilombolas.
O Fundo Rotativo Solidário é um dos instrumentos usados pelo projeto para enfrentar uma dificuldade comum aos empreendimentos da Economia Popular e Solidária: o acesso a recursos para melhorar a produção, adquirir equipamentos, organizar os produtos, ampliar a comercialização e criar novas oportunidades de trabalho e renda.
Diferentemente de um apoio individual e pontual, o Fundo Rotativo segue uma lógica coletiva. Os recursos apoiam o desenvolvimento das atividades e, conforme critérios e regras definidos com os participantes, retornam ao fundo para continuar circulando e beneficiar outras iniciativas.
Assim, o recurso permanece no território e pode gerar resultados sucessivos. O fortalecimento de um empreendimento abre caminho para o crescimento de outros, formando uma rede baseada na responsabilidade, na participação e na cooperação.
Uma ferramenta que gera autonomia
Além de facilitar o acesso a recursos, o Fundo Rotativo incentiva os participantes a planejar suas atividades, identificar prioridades, acompanhar a utilização dos valores e participar das decisões sobre o funcionamento do instrumento.
A construção coletiva das regras fortalece a transparência, o controle social e a autogestão. Os grupos deixam de ser apenas beneficiários e passam a atuar diretamente na definição dos caminhos e das responsabilidades relacionadas ao fundo.
Para a presidenta da UNISOL Bahia, Anne Sena, esse modelo transforma um recurso inicial em uma ferramenta permanente de desenvolvimento comunitário.
“O Fundo Rotativo parte de um princípio essencial da Economia Popular e Solidária: ninguém precisa crescer sozinho. O recurso que hoje fortalece um empreendimento pode, amanhã, apoiar outro grupo e gerar novas oportunidades. Quando essa circulação é organizada coletivamente, o dinheiro deixa de ser apenas um apoio pontual e se transforma em um patrimônio comunitário, capaz de fortalecer a produção, ampliar a autonomia e manter o desenvolvimento dentro do próprio território”, afirmou.
Oportunidades que permanecem nas comunidades
Agricultores familiares, pescadores, marisqueiras, trabalhadores da reciclagem, comunidades quilombolas e outros grupos produtivos enfrentam diferentes obstáculos para manter e expandir suas atividades. Mesmo quando possuem conhecimento, experiência e capacidade de produção, muitos encontram dificuldades para acessar recursos, estruturar a gestão ou chegar a novos mercados.
No Territórios em Ação, o Fundo Rotativo Solidário serve para ajudar a superar essas barreiras, apoiando a sustentabilidade dos grupos e criando condições para que eles desenvolvam suas potencialidades.
As necessidades e características de cada território orientam esse processo. A ferramenta está integrada às ações de formação, assessoria técnica, organização coletiva e apoio à produção e à comercialização desenvolvidas pelo projeto.
Mais do que disponibilizar recursos, a proposta é fortalecer a capacidade das comunidades de tomar decisões, construir soluções conjuntas e conduzir o próprio desenvolvimento.
“O mais importante é que as comunidades sejam protagonistas. O Fundo Rotativo não chega como uma decisão pronta: ele precisa ser compreendido, construído e acompanhado por quem vive e produz no território. É essa participação que transforma o acesso a recursos em autonomia e faz com que a solidariedade se converta em desenvolvimento concreto”, destacou Anne Sena.
Recurso que circula e impacto que se multiplica
Ao manter os recursos circulando entre os grupos, o Fundo Rotativo Solidário amplia o alcance do investimento e multiplica as oportunidades. Uma iniciativa fortalecida pode gerar trabalho e renda, melhorar a produção e contribuir para que novos empreendimentos também avancem.
Essa dinâmica traduz, na prática, os princípios da Economia Popular e Solidária: cooperação no lugar da competição, participação nas decisões, valorização do trabalho coletivo e distribuição das oportunidades.
Com o Fundo Rotativo, o Territórios em Ação reforça sua estratégia de construir o desenvolvimento junto com as comunidades, respeitando seus conhecimentos, identidades e potencialidades e garantindo que os resultados permaneçam onde realmente fazem diferença: nos próprios territórios.
Sobre o Territórios em Ação
Realizado pela UNISOL Bahia em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o projeto Territórios em Ação fortalece iniciativas da Economia Popular e Solidária nos municípios de Candeias, São Sebastião do Passé, Esplanada e Inhambupe.
O projeto apoia agricultores familiares, pescadores, marisqueiras, trabalhadores da reciclagem e comunidades quilombolas por meio de formação, assessoria técnica, organização coletiva e incentivo à produção e à comercialização. As ações valorizam os saberes, as identidades e as potencialidades de cada comunidade, contribuindo para gerar trabalho e renda, ampliar a segurança alimentar, preservar o meio ambiente e construir um desenvolvimento justo, sustentável e enraizado nos próprios territórios.




