
Uma ação realizada durante o Carnaval de Salvador 2025 ofereceu cuidado e dignidade às mulheres catadoras de resíduos recicláveis. Esse foi o “Cuidar de Quem Cuida”, uma iniciativa do Governo do Estado da Bahia, em parceria com diversas instituições como a UNISOL Bahia e o Projeto EcoRecicla+, através de patrocínio da Fundação Banco do Brasil.
Durante os festejos, o programa disponibilizou para as mulheres dois espaços de acolhimento que ofereceram cuidado e melhores condições de trabalho através de serviços e atividades como rodas de conversa, massagem, trancistas, auriculoterapia, reiki e atendimento psicológico. Durante cinco dias de festa o projeto atendeu mais de 2.000 mulheres, além de distribuir refeições e 1209 kits de higiene pessoal e mochilas.
Anne Sena, Diretora Presidente da UNISOL, explica que durante a execução, a ação se confrontou com uma política de extrema vulnerabilidade, principalmente, das trabalhadoras no carnaval. “Isso levou a uma ampliação da perspectiva do ‘Cuidar de Quem Cuida’ para o atendimento não apenas das catadoras da reciclagem, mas também para ambulantes e cordeiras, mulheres que no carnaval tiram sustento de suas famílias nesse trabalho dito temporário”, explicou.
A reunião de avaliação também trouxe reflexão sobre a categoria dos catadores temporários. “A gente conhecia já as catadoras coletivadas e as autônomas, que são público recorrente das nossas ações. Mas compreendemos que, a partir de uma política pública que hoje tem um outro lugar para esse segmento, com as centrais e de investimento do Estado, por exemplo, na valorização desse trabalho junto aos catadores, tem trazido uma maior visibilidade para a catação de resíduos recicláveis e consequentemente se tornado uma possibilidade de geração de renda cada vez para mais pessoas”, destacou a Diretora.
O projeto demonstrou os desafios de quem trabalha na informalidade em Salvador, o quanto esse trabalho se estrutura na perspectiva de gênero e como é perceptível a ausência de políticas realmente inclusivas para as mulheres, que contemplem suas especificidades em relação a fatores como maternidade e segurança. “Nesse sentido, uma coisa que ficou clara para nós é que esse projeto tem que se transformar em grande programa que pense em ações de qualificação profissional e de acolhimento durante todo o ano, trazendo para essas mulheres esse espaço real para que sejam ouvidas e cuidadas”, explicou Anne Sena.
Para a UNISOL Bahia, o “Cuidar de Quem Cuida” trouxe além de benefícios para as trabalhadoras do carnaval, mais uma possibilidade de discutir profundamente sobre essa política de trabalho em âmbito individual, mas também sobre formas possíveis de integração às redes de economia popular e solidária. Segundo Anne, essa reflexão vai na direção da criação de ações que possam perdurar para além do período do carnaval, numa perspectiva de organização dessas companheiras, mas sobretudo numa política de saúde, de assistência de profissionalização, perspectivas que conduzirão os debates da central de empreendimentos solidários da Bahia.
Na avaliação geral o projeto foi positivo e se apresentou como uma resposta eficiente às questões que propôs. Anne destacou também que através dele “se compreendeu que o autocuidado transversaliza qualquer público e essa perspectiva, que a gente muitas vezes ignora, do cuidado com o nosso corpo, com o nosso feminino, como o nosso psicológico não é priorizada muitas vezes em decorrência da urgência em adequarmos nossas vulnerabilidades na perspectiva de geração de trabalho, de garantir o sustento das nossas famílias”. A Diretora Presidente da UNISOL Bahia, que esteve presente em todos os dias da ação “Cuidar de Quem Cuida”, ao lado da equipe e das trabalhadoras atendidas pelo projeto, explicou que essa foi uma experiência marcante e que a instituição, ao lado dos demais parceiros, certamente irá trabalhar para que ela perdure e se torne um programa inclusivo, sustentável e com foco na humanização de uma política pública que garanta acesso para todas as mulheres.