


Na Conferência Livre Virtual de Economia Solidária, etapa preparatória da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (CNPM), a coordenadora da UNISOL Bahia, Anne Sena, presidenta fez um discurso contundente sobre o papel estratégico da Economia Popular e Solidária na construção de um Brasil mais justo, democrático e inclusivo.
Anne ressaltou que a democracia vai muito além das urnas — ela se constrói diariamente nas comunidades, nas feiras, nos galpões de reciclagem, nas cozinhas comunitárias e em todas as formas de organização popular. De forma especial, destacou o protagonismo das mulheres negras, que transformam contextos de vulnerabilidade em poder econômico e autonomia.
A dirigente enfatizou que a Economia Popular e Solidária é uma estratégia de organização em rede capaz de garantir segurança social e econômica para as famílias, enfrentando a desigualdade estrutural que marca o país. Ela lembrou que mulheres negras são as mais atingidas pela precarização do trabalho e pela dificuldade de acesso a direitos e crédito, e que a inclusão digital segue sendo um desafio, principalmente em comunidades quilombolas, de pasto e em áreas periféricas marginalizadas.
“A Economia Solidária não é política acessória, mas um pilar de um projeto de democracia econômica”, afirmou Anne.
“Ela promove a soberania econômica das mulheres, gera independência real, combate a violência, forma lideranças femininas e negras e fortalece cadeias econômicas locais.”
A presidenta destacou que a Bahia é um celeiro de experiências inspiradoras, com cooperativas de catadores, grupos de agricultura familiar e redes de artesãs que transformam saberes tradicionais em produtos de alto valor cultural e econômico.
Anne alertou para a perversidade do capital em absorver pautas sociais e destacou a necessidade de mobilizar o povo para que a Economia Solidária seja central em conferências e discussões políticas. Para ela, é essencial fazer política com ressonância e ocupar as ruas, garantindo que essa pauta se traduza em políticas públicas sólidas.
“Economia Solidária é mais que geração de renda: é criação de poder popular”, afirmou.
“Ela deve ser política de Estado, com financiamento permanente, compras públicas solidárias, capacitação contínua, infraestrutura e reconhecimento legal.”



