

Um grupo de agricultores atendidos pela UNISOL Bahia, por meio do Projeto ATER Biomas, participou de um intercâmbio agroecológico no Assentamento Terra Vista, localizado no município de Arataca, nos dias 05 a 09 de março. Nos anos 2000, o assentamento iniciou sua transição agroecológica. Conforme dados publicados pela Teia do Povos – uma articulação de comunidades, territórios, povos, organizações políticas, rurais e urbanas – 92% da mata ciliar do Rio Aliança já foi recuperada. Os assentados produzem a partir da perspectiva do Bem Viver. Isto é, “unem o processo produtivo na terra com a obrigação do cuidado com a natureza”.
O assentamento Terra Vista é referência na região pelo cultivo do cacaueiro em sistema cabruca – plantio de cacau sob a sombra de árvores nativas da Mata Atlântica. De acordo com o Decreto Estadual nº 15.180/2014, para que um cultivo de cacau seja reconhecido oficialmente como sistema cabruca, ele deve ter no mínimo 20 árvores nativas por hectare no sombreamento do cacaueiro. Durante o intercâmbio, os agricultores participaram de uma oficina sobre o beneficiamento do cacau, com destaque para as diferentes variedades genéticas da cultura e sua importância para a qualidade do produto final.

Oficina sobre o Beneficiamento do Cacau
“É importante a gente sair e conhecer novos lugares e novas pessoas, para mim foi uma experiência muito grande […] o conhecimento a gente leva para o resto das nossa vidas” afirmou o agricultor Ademir França, vice presidente da Associação de Moradores e Pequenos Agricultores do Três Riachos, município de Jaguaquara. O grupo também realizou uma visita à Fábrica-Escola de Chocolate do Litoral Sul, onde pôde conhecer de perto o processo de transformação do cacau no chocolate.
Para finalizar o intercâmbio, os agricultores participaram do V Encontro de Mulheres da Teia dos Povos, um espaço de diálogo, troca de experiências e fortalecimento das lutas dos povos e comunidades tradicionais. O evento contou com a participação de agricultoras, quilombolas, marisqueiras, indígenas e geraizeiras de diversos territórios, promovendo reflexões sobre o papel das mulheres na defesa dos territórios, na produção de alimentos e na preservação dos saberes tradicionais. “Além da troca de experiências, foi possível vivenciar outras realidades […] povos, culturas e religiões diferentes” declarou Giulia Barreto, técnica de campo da UNISOL Bahia. O Projeto ATER Biomas atende agricultores familiares residentes nos Territórios de Identidade da Bahia, com enfoque nos biomas Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, sob coordenação da UNISOL Bahia, em convênio com a SDR/BAHIATER.

Visita à Fábrica-Escola de Chocolate do Litoral Sul




