

Agricultores e agricultoras familiares, assentados da reforma agrária, catadores de materiais recicláveis, representantes de organizações sociais, docentes e lideranças comunitárias participaram, no dia 10 de setembro, do 1º Seminário Territorial Agroecológico, realizado em Alagoinhas, na Bahia.
Promovido pela Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários da Bahia (UNISOL Bahia), em parceria com a Petrobras, o encontro integrou as atividades do projeto Territórios em Ação e criou um espaço de formação, diálogo e articulação em torno da transição agroecológica, da agricultura familiar e da economia popular e solidária no Território Litoral Norte e Agreste Baiano.
A presidenta da UNISOL Bahia, Anne Sena, participou da abertura institucional, que também contou com a coordenação do Programa de Formação Paul Singer,e ressaltou que fortalecer a agroecologia significa defender um modelo de desenvolvimento comprometido com as pessoas, com os territórios e com a preservação da vida.
“A agroecologia é muito mais do que uma forma sustentável de produzir alimentos. É um projeto de desenvolvimento que valoriza os saberes ancestrais, protege a natureza, fortalece a agricultura familiar e garante trabalho, renda e dignidade às comunidades. Quando reunimos agricultores, assentados, catadores, mulheres, jovens, universidades e organizações sociais, mostramos que a transformação nasce da cooperação e da organização popular. Este seminário reafirma o compromisso da UNISOL Bahia e do projeto Territórios em Ação com uma economia que não exclui, que respeita os territórios e coloca a vida no centro de todas as decisões”, destacou Anne Sena.
Ao longo da programação, os participantes debateram a agroecologia para além das práticas produtivas, relacionando o tema à preservação ambiental, à valorização dos conhecimentos tradicionais, à organização comunitária, à autonomia das mulheres e à geração de trabalho e renda.

Troca de saberes entre o campo e a cidade
Um dos destaques do seminário foi a integração entre comunidades rurais e organizações que atuam nos espaços urbanos. A presença de associações de catadores de materiais recicláveis ampliou o debate sobre sustentabilidade e demonstrou como a agroecologia e a economia solidária podem conectar diferentes atividades e realidades.
Para Magda de Almeida, coordenadora estadual do Programa de Formação Paul Singer na UNISOL Bahia, a realização do encontro contribuiu para fortalecer a articulação entre as comunidades.
“Para nós, foi uma grande satisfação promover esse encontro entre várias comunidades, trazendo um tema tão pertinente para a economia popular e solidária, que é a transição agroecológica. Queremos fortalecer a agricultura familiar e ampliar o debate sobre a agroecologia nos territórios”, afirmou.
Representando o Assentamento Terra Vista do MST, Deysi Ferreira “Potira”, ela destacou que a agroecologia também está relacionada à cultura, à identidade e à preservação dos conhecimentos ancestrais.
“É um debate que vai além da produção. A gente se reconhece no território por meio da cultura, da identidade, das práticas de cooperação e do bem comum. É também um momento para falar sobre os conhecimentos ancestrais que os nossos povos já desenvolvem”, explicou.
Os painéis reuniram contribuições do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); da Teia dos Povos Bahia, com Deyse Ferreira; e da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), por meio do projeto Trilhas Solidárias, com a professora Tatiana Rocha. A equipe técnica do Territórios em Ação também apresentou as metodologias desenvolvidas junto às comunidades.

Formação e ações práticas nos territórios
O projeto Territórios em Ação desenvolve suas atividades a partir de diagnósticos participativos, que permitem identificar as demandas, potencialidades e conhecimentos existentes em cada comunidade. Com base nesse levantamento, os grupos participam de um ciclo formativo dividido em três trilhas: organização coletiva; gestão e finanças; e manejo e produção agroecológica.
Entre as iniciativas desenvolvidas estão a implantação de canteiros de hortaliças e meliponários em escolas, aproximando a produção de alimentos das atividades pedagógicas em áreas como matemática e ciências.
O projeto também trabalha com práticas como compostagem para a produção de adubo orgânico, consórcio de culturas, criação de animais pelo sistema de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS) e oficinas de culinária regional.
Para Sheila Simões, analista de gestão comunitária do projeto Trilhas Solidárias, o seminário favoreceu o aprendizado coletivo e também contribuiu para o fortalecimento das mulheres.
“Foi um momento muito produtivo, no qual pudemos discutir, aprender e trocar experiências sobre a agroecologia no nosso território e também sobre o processo de empoderamento das mulheres”, avaliou.

Conhecimento que retorna às comunidades
A diversidade de experiências presentes no seminário permitiu que os participantes conhecessem práticas que podem ser adaptadas e desenvolvidas em suas próprias comunidades.
O presidente da Associação de Catadores Ancup, Manoel Brasil, ressaltou a importância do contato com a experiência do Assentamento Terra Vista.
“Participar deste seminário foi muito enriquecedor. Conhecer a experiência do Assentamento Terra Vista foi muito importante e vamos levar esse aprendizado para a nossa comunidade, contribuindo para fortalecer o nosso trabalho”, declarou.
Alexandra, representante da comunidade Aquinísio, também destacou a construção coletiva do conhecimento como um dos principais resultados da atividade.
“O aprendizado que fica é que adquirimos conhecimentos com pessoas de outras comunidades. Quando juntamos um conhecimento com o outro, construímos uma história para ser contada”, afirmou.
O 1º Seminário Territorial Agroecológico encerrou sua programação com encaminhamentos para a continuidade das formações e a realização de vivências práticas nos territórios. Para Anne Sena, o conhecimento compartilhado durante o encontro deve se transformar em ações concretas, capazes de fortalecer as comunidades e melhorar a vida de quem vive e trabalha nelas.
“Este seminário não termina aqui. Cada experiência compartilhada precisa voltar para as comunidades e se transformar em organização, produção, alimento saudável, geração de renda e autonomia. Nosso desafio é fazer com que esses conhecimentos circulem, criem raízes e fortaleçam uma grande rede de cooperação entre o campo e a cidade. É assim, com participação popular e construção coletiva, que vamos enfrentar as desigualdades e construir territórios mais sustentáveis, solidários e capazes de garantir dignidade e futuro para o nosso povo”, concluiu a presidenta da UNISOL Bahia.




