

Por ASCOM UNISOL Bahia
Enquanto boa parte das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento ainda concentra esforços em ações isoladas ou na transferência de recursos, o Projeto Territórios em Ação – Rede Socioambiental de Economia Popular e Solidária vem demonstrando que o verdadeiro desenvolvimento nasce quando comunidades fortalecem sua capacidade de produzir, cooperar e decidir coletivamente sobre seu futuro.
Executado pela UNISOL Bahia, com patrocínio da Petrobras, o projeto atua em quatro municípios baianos — Candeias, São Sebastião do Passé, Inhambupe e Esplanada — reunindo dezenas de comunidades em torno de uma estratégia inovadora baseada na aplicação de tecnologias sociais capazes de fortalecer organizações comunitárias, ampliar oportunidades econômicas e consolidar redes de cooperação.
Mais do que apoiar empreendimentos isolados, o projeto estrutura um verdadeiro ecossistema de desenvolvimento territorial, no qual diferentes instrumentos se articulam para transformar potencialidades locais em geração de trabalho, renda e inclusão produtiva.
Desenvolvimento construído a partir dos territórios
A metodologia parte do princípio de que cada comunidade possui ativos próprios — conhecimentos tradicionais, recursos naturais, cultura, organização social e vocações produtivas — que precisam ser reconhecidos antes da implantação de qualquer política de incentivo econômico.
Por isso, todas as comunidades iniciam sua participação por meio da construção do Marco Zero Territorial, um diagnóstico participativo que identifica desafios, oportunidades, infraestrutura existente, capacidades organizativas e potenciais econômicos.
Esse processo permite elaborar planos de desenvolvimento específicos para cada empreendimento e orientar investimentos conforme a realidade de cada território.
Maturidade como instrumento de planejamento
Uma das principais inovações do projeto é a criação de uma Metodologia de Maturidade dos Empreendimentos, que permite acompanhar a evolução organizacional das iniciativas comunitárias.
Inspirada nos ciclos naturais do desenvolvimento, a metodologia organiza os empreendimentos em cinco estágios: Semear — mobilização comunitária e organização inicial; Germinar — estruturação da governança e planejamento; Florescer — consolidação da produção e gestão; Fertilizar — ampliação da capacidade produtiva e acesso a mercados; Colher — empreendimentos consolidados, sustentáveis e inseridos em redes de comercialização.
Essa ferramenta possibilita que a assistência técnica seja personalizada, direcionando ações específicas para cada nível de desenvolvimento.
Fundo Rotativo Solidário fortalece autonomia comunitária
Outra tecnologia social incorporada ao projeto é a implantação de Fundos Rotativos Solidários, mecanismo que permite às próprias comunidades construir instrumentos coletivos de financiamento.
Ao invés da lógica tradicional de crédito individual, o fundo fortalece a confiança, a solidariedade e a gestão democrática dos recursos, permitindo pequenos investimentos produtivos que permanecem circulando dentro da própria comunidade.
Além do aspecto financeiro, o Fundo Rotativo fortalece a governança local e estimula a corresponsabilidade entre os participantes.
Redes produtivas ampliam oportunidades
O projeto também rompe com a lógica de atuação isolada ao organizar os empreendimentos em redes produtivas territoriais, estruturadas por segmentos econômicos estratégicos.
Entre eles destacam-se: Agricultura Familiar; Comunidades Tradicionais; Artesanato e Economia Criativa; Catadores de Materiais Recicláveis. Essa organização favorece compras coletivas, comercialização integrada, intercâmbio de experiências, acesso a políticas públicas e fortalecimento das cadeias econômicas locais.
Tecnologia social também é conhecimento
Ao longo do processo, as comunidades recebem acompanhamento contínuo em temas como:
gestão democrática;
planejamento comunitário;
elaboração de projetos;
regularização institucional;
comunicação;
identidade visual;
comercialização;
compras públicas;
agroecologia;
educação financeira;
economia solidária.
A formação permanente transforma conhecimento em ferramenta de emancipação econômica.
Economia Solidária como estratégia de desenvolvimento
Para a UNISOL Bahia, o Projeto Territórios em Ação demonstra que a Economia Popular e Solidária não deve ser compreendida apenas como uma política social voltada para populações vulneráveis.
Na prática, ela se apresenta como um modelo de desenvolvimento econômico, capaz de gerar riqueza, fortalecer mercados locais, ampliar a participação democrática e promover inclusão produtiva com sustentabilidade ambiental.
Ao articular tecnologias sociais, assistência técnica, organização comunitária e redes econômicas, o projeto constrói uma alternativa concreta aos modelos concentradores de desenvolvimento, mostrando que crescimento econômico pode caminhar junto com cooperação, justiça social e valorização dos territórios.
Mais do que fortalecer empreendimentos, o Territórios em Ação fortalece comunidades, consolida capacidades locais e demonstra que o desenvolvimento sustentável começa quando as pessoas se tornam protagonistas da transformação de seus próprios territórios.




