Mulheres agricultoras implantam sistema agroecológico para produzir alimentos e gerar renda na Bahia

Mulheres agricultoras do Acampamento Joeli Santos, em São Sebastião do Passé, na Região Metropolitana de Salvador, estão avançando na implantação de um sistema de produção agroecológica que reúne cultivo diversificado de alimentos, criação de animais e manejo sustentável dos recursos naturais. A iniciativa busca ampliar a segurança alimentar e criar novas possibilidades de trabalho e renda para as famílias da comunidade.

A ação integra o Projeto Territórios em Ação, realizado pela UNISOL Bahia em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Na sexta-feira, 24 de julho, representantes das instituições estiveram na comunidade para acompanhar o desenvolvimento das atividades e ouvir as famílias sobre os aprendizados, avanços e desafios vivenciados ao longo do projeto.

A agenda contou com a presença do gerente de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Petrobras, Raphael Libânio, e foi realizada junto à COOBEDETRA – Cooperativa Beneficiadora dos Derivados da Terra, empreendimento acompanhado pelo Territórios em Ação.

Formação prepara famílias para a produção coletiva

A implantação do Sistema PAIS – Produção Agroecológica Integrada e Sustentável – faz parte de um processo mais amplo de organização comunitária. Antes do início das atividades produtivas, as famílias participaram de capacitações sobre economia solidária, trabalho coletivo, custos, precificação, divisão dos resultados e cuidados com a terra.

Os conhecimentos adquiridos já começam a ser aplicados no planejamento da produção e na organização do grupo. Com o início do plantio e da criação de galinhas, as famílias discutem agora a ampliação das atividades, o escoamento dos produtos e a forma de divisão dos resultados.

Durante a visita, as participantes destacaram que a metodologia acolhedora utilizada nas formações ajudou o grupo a compreender temas considerados mais complexos e a superar inseguranças relacionadas à gestão da produção.

“A nossa expectativa era conhecer a história de vida das pessoas beneficiárias, entender como o projeto tem impactado essas vidas e identificar os ganhos, as lições aprendidas e também aquilo que ainda pode ser ajustado. Tivemos um retorno muito positivo sobre como os conhecimentos das capacitações estão sendo compreendidos e aplicados”, afirmou Laíla Soares, gestora de projetos sociais da Petrobras.

Mulheres assumem protagonismo

A presença e o protagonismo das mulheres são destaques no processo. Elas participam das formações, da implantação do Sistema PAIS e das decisões relacionadas à organização coletiva, ao cuidado com a terra e à comercialização da futura produção.

“Foi muito positivo encontrar tantas mulheres participando e falando com orgulho do processo. O grupo já está pensando na produção coletiva, em como se organizar e trabalhar dentro de uma perspectiva associativa e de economia solidária. Ao mesmo tempo, existe um envolvimento muito grande com o cuidado com a terra”, acrescentou Laíla.

Para a presidenta da UNISOL Bahia, Anne Sena, os resultados demonstram a importância de iniciativas construídas a partir da realidade e dos conhecimentos das próprias comunidades.

“O Territórios em Ação não chega aos territórios com soluções prontas. Cada etapa é construída junto com as famílias, valorizando os saberes locais e oferecendo formação e assistência técnica para que os grupos conquistem autonomia. Ver essas mulheres aplicando o que aprenderam, planejando a produção coletiva e debatendo a comercialização mostra que estamos fortalecendo não apenas uma atividade produtiva, mas também a organização comunitária, a economia solidária e a capacidade de transformação do território”, afirmou Anne Sena.

Projeto acompanhará 50 empreendimentos

O Territórios em Ação atua nos municípios baianos de Candeias, São Sebastião do Passé, Esplanada e Inhambupe. A iniciativa prevê o acompanhamento de 50 empreendimentos formais e informais ligados à agricultura familiar, pesca artesanal, mariscagem, reciclagem e produção de ervas medicinais em comunidades quilombolas.

O projeto articula formação, assistência técnica, organização coletiva, sustentabilidade, participação social e apoio para o acesso a oportunidades de comercialização. A proposta é contribuir para que os grupos fortaleçam sua capacidade produtiva, ampliem a geração de renda e construam soluções sustentáveis a partir das características de cada território.

No Acampamento Joeli Santos, o acompanhamento continuará durante as próximas etapas de implantação do Sistema PAIS, organização do grupo e planejamento da comercialização. A expectativa é que a produção agroecológica se consolide como fonte permanente de alimentos, trabalho e renda para as famílias e para a comunidade.

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